Medidas de Tendência Central em Bioestatística
Medidas de Tendência Central em Bioestatística: Entendendo Média, Mediana e Moda
Tipos de Variáveis
Antes de explorar as medidas de tendência central, é importante entender os tipos de variáveis que encontramos em bioestatística: quantitativas e qualitativas. As variáveis quantitativas são numéricas e representam quantidades mensuráveis, como altura, pressão arterial ou número de consultas médicas. Elas podem ser contínuas (valores em uma escala infinita, como 165,2 cm) ou discretas (valores específicos, como 3 consultas). Já as variáveis qualitativas são categóricas e descrevem características, não quantidades. Elas se dividem em nominais (sem ordem, como tipo sanguíneo: A, B, AB, O) e ordinais (com ordem, como nível de dor: leve, moderado, grave). Essa distinção é essencial, pois o tipo de variável determina quais medidas de tendência central podemos usar.
O que são Medidas de Tendência Central?
As medidas de tendência central são valores que representam o “centro” de um conjunto de dados. Elas condensam grandes quantidades de informações em um único número, facilitando a análise e a comparação entre grupos ou condições. As três principais medidas são:
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Média: A soma de todos os valores dividida pelo número de observações.
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Mediana: O valor que separa o conjunto em duas partes iguais, com 50% dos dados abaixo e 50% acima.
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Moda: O valor mais frequente no conjunto.
Média: A Medida Mais Comum
A média é amplamente usada em pesquisas médicas por sua simplicidade e facilidade de cálculo, especialmente para variáveis quantitativas contínuas ou discretas. Por exemplo, em um estudo sobre níveis de colesterol em pacientes com doenças cardiovasculares, a média pode indicar o valor típico do grupo. Ela é calculada assim:
\[\bar{x} = \frac{\sum x_i}{n}\]Onde:
- \(\bar{x}\) é a média.
- \(n\) é o número total de observações.
- \(x_i\) são os valores individuais.
- \(\sum x_i\) é a soma desses valores.
Vantagens:
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Considera todos os valores do conjunto.
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Fácil de calcular e interpretar.
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Ideal para dados com distribuição normal (simétrica, em forma de sino, como a “curva de Gauss”).
Desvantagens:
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Sensível a valores extremos (outliers). Por exemplo, um paciente com colesterol excepcionalmente alto pode inflar a média, distorcendo o resultado.
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Menos eficaz para dados assimétricos.
Exemplo Prático:
Imagine 10 observações, todas com valor 10 (média = 10). Se alterarmos a última para 11, a nova média será 10,1. Em um conjunto com \(n\) observações, uma mudança de 1 unidade em um valor altera a média em \(1/n\). Essa sensibilidade torna a média útil em cálculos matemáticos, mas vulnerável a distorções.
Quando Usar:
A média é ideal para variáveis quantitativas simétricas, sem outliers, como em estudos com dados contínuos em grandes populações seguindo uma distribuição normal. Curiosidade: na década de 1980, a média de salário inicial de formados em Geografia na Universidade da Carolina do Norte era a mais alta — provavelmente por causa de Michael Jordan!
Mediana: A Medida Robusta
A mediana é preferida para variáveis quantitativas quando os dados são assimétricos ou têm outliers. Por exemplo, em pesquisas sobre tempo de sobrevivência de pacientes com câncer, ela é mais representativa, já que alguns indivíduos podem viver muito mais que a maioria, criando uma distribuição desigual. Para variáveis qualitativas ordinais (como nível de dor), a mediana também pode ser usada, indicando a categoria central.
Vantagens:
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Não é afetada por valores extremos.
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Melhor para dados assimétricos.
Desvantagens:
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Ignora a magnitude dos valores, focando apenas na posição central.
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Menos útil para análises estatísticas complexas.
Quando Usar:
A mediana é a escolha certa para estudos de sobrevivência, renda médica ou situações em que outliers possam distorcer os resultados de variáveis quantitativas. Para variáveis ordinais, ela destaca o ponto médio ordenado.
Moda: A Medida de Frequência
A moda é usada principalmente para variáveis qualitativas, nominais ou ordinais, e menos comum em variáveis quantitativas na pesquisa médica. Por exemplo, em estudos sobre tipos sanguíneos ou o antibiótico mais prescrito para uma doença, ela destaca a categoria mais comum.
Vantagens:
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Ideal para dados categóricos ou nominais.
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Simples de identificar em distribuições com picos claros.
Desvantagens:
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Pode não existir (se todos os valores forem únicos) ou haver várias modas.
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Não informa sobre a dispersão dos dados.
Quando Usar:
A moda é perfeita para variáveis qualitativas, como tipos de doenças ou preferências de tratamento, onde o objetivo é identificar o mais frequente.
Conclusão
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Média: Use para variáveis quantitativas simétricas e sem outliers.
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Mediana: Prefira em variáveis quantitativas assimétricas ou com valores extremos, ou em variáveis ordinais.
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Moda: Aplique a variáveis qualitativas para identificar o mais frequente.
Cada medida tem seu lugar em bioestatística, dependendo do tipo de variável e do objetivo da análise. Escolher a certa é essencial para interpretar os resultados de forma precisa e útil.